A falta da cara metade parece incomodar muitas pessoas que não conseguem conviver com tranquilidade sem alguém para amar. Essa dependência do afeto do outro, pode ser entendida porque desde o nosso nascimento, somos indivíduos carentes por excelência e seguimos desejando ser desejados por um outro pois, como explica Lacan, o primeiro e maior desejo do ser humano é o de ser desejado. Mas, se isso é uma característica do ser humano, então onde está a dificuldade em encontrar a cara metade tão desejada? Bauman (2004) discorre acerca da necessidade do homem moderno se relacionar, salientando a perenidade dos vínculos afetivos em uma sociedade que valoriza o individualismo e o consumismo fragilizando os relacionamentos humanos em um ambiente de total liquidez que vai permeando o amor na atualidade.
Mas, apesar de toda a pressa e fluidez do mundo contemporâneo, as pessoas ainda sentem a necessidade de outra pessoa para compartilhar afeto e alimentar a “fantasia” de uma união complementar ideal. Desejamos esse investimento afetivo do outro em relação a nós, mas Nietzsche já apontava que “acabamos por amar nosso próprio desejo, em lugar do objeto desejado”. Se o primeiro e maior desejo do humano é o de ser desejado, também é quebrando esse desejo narcísico que você pode encontrar seu verdadeiro eu e abrir uma porta de possibilidade para a entrada do ser desejado.
O importante é estar aberto (a) para enxergar as oportunidades de realizar seu desejo, de se encontrar e encontrar sua cara metade, mas para isso ser possível é necessário se dispor a mudar o certo pelo incerto e encarar novas experiências verdadeiramente gratificantes porque ninguém, além de você, deve estar no controle de sua felicidade.
Então, tá na hora de ir à luta, né?